Apresentação

“Compreender o mal não o cura, mas, sem dúvida alguma, ajuda. Afinal, é muito mais fácil lidar com uma dificuldade compreensível que com uma escuridão incompreensível.” – Carl Jung.

Olá.
Seja bem vindo(a).
Espero que goste.
Luz, Paz e Alegria sempre.
Elizabeth.

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

A verdadeira Cura




A verdadeira cura é a arte de viver.

Viver em plenitude, alegria e harmonia, trilhando o caminho da Unidade (afinal, Somostodosum).

Buscamos a cura externamente, consultamos médicos, técnicos e terapeutas ansiando por diagnósticos para o que sentimos, suspirando ao ouvirmos resumido em poucas palavras o significado de nossas dores.

Então reagimos com alívio, desespero ou desalento.

Buscamos rótulos, receitas, reforçando o pensamento cartesiano, totalmente inadequado aos novos tempos. Então, nova batalha: a procura de tratamentos. “Agora que sei o que tenho é preciso encontrar o remédio certo; aí, tudo vai ficar bem”...

Progredimos muito, tivemos grandes conquistas, com certeza por merecimento, pois evoluímos em muitos aspectos, porém no que diz respeito ao auto-conhecimento e à consciência da Unidade ainda temos muito o que aprender e vivenciar.

Esquecemos ou ignoramos que os nossos pensamentos e ações são a origem de tudo nesta e em vidas anteriores.

Nossas células nos obedecem e agem de acordo com o nosso estado emocional e com nossas crenças. Nosso corpo, na realidade, é um microcosmo, representação de um Cosmo Maior, cujas regras se reproduzem.

O corpo físico é o visível, palpável, mas muitas vezes ignorado. 

Nossos órgãos não entendem duplas mensagens, só a linguagem da harmonia e unidade. Quando recebem informações contrárias, quando as emoções, sentimentos e ações o sobrecarregam, desregulando as glândulas e os sistemas, a doença se instala.

Tomemos, por exemplo, o coração. Ele é o Sol de nosso corpo, nossa vida foi a ele confiada, é a sede do Amor Crístico e da compaixão que é o fio mais forte (ou deveria ser) o que nos liga uns aos outros.

Um herói que trabalha incessantemente bombeando cerca de cinco toneladas de sangue por dia, em harmonia com todos os outros órgãos companheiros. Ele não precisa do comando do cérebro para bater, uma vez arrancado de um corpo continua batendo durante algum tempo. É ele quem purifica o sangue enviando-o para os pulmões, recebendo de volta e redistribuindo para o restante do organismo; assim o cérebro recebe os nutrientes necessários ao comando do corpo.

O nosso querido amigo desenvolve um árduo trabalho e como os outros órgãos não tem crises de soberba, egoísmo, raiva ... pois sabe que todos são importantes e sua função principal é trabalhar em harmonia em prol da Unidade.

E nós como participamos? 

O que podemos fazer para auxiliar?

Manter uma dieta saudável, evitar o uso de substâncias tóxicas, desenvolver atividades físicas e equilibrar as emoções, além de manter vigilância sobre os pensamentos e transformar paradigmas ou crenças inadequadas. Pois a paz da mente e o bom funcionamento do cérebro dependem de tudo isso.

Vivenciar a respiração consciente também é importante, pois através dela aspiramos o princípio vital (chi, prana ou mana) nutridor do nosso sangue.

Não é sem fundamento o fato de que as doenças do sangue estão ligadas aos sentimentos de desalento e tristeza, pois o sangue sem vida e sem calor é daquele que perdeu a alegria, que não respira a vida.

Nas escrituras hindus encontramos a máxima:

“Quando o uso dos sentimentos é purificado, o coração se purifica. Quando o coração é purificado, existe uma constante lembrança do Eu superior. Quando existe uma constante lembrança do Eu superior, todos os vínculos são desfeitos e a liberdade espiritual é alcançada.”

O Cosmos inteiro está contido em cada uma das partes e o corpo é Unidade.

É preciso assumir este milagre que é a vida, ter a coragem de mudar, de retirar do nosso caminho o que nos impede de caminhar e buscar o nosso direito divino de Ser pleno e saudável.

Somente assim ocorrerá a verdadeira transformação e CURA.

@souzaelizabethdefatimaterapias

quinta-feira, 27 de julho de 2023

A ansiedade de cada dia, cada hora, cada instante.





A ansiedade é inerente ao ser humano, permite visualizar uma possível situação de perigo e preparar a reação, mas se transforma em patológica quando foge a um contexto ou se torna desproporcional.

O aumento de pessoas com TAG (Transtorno de ansiedade generalizado) e Síndrome do Pânico evidencia que a sociedade está cada vez mais ansiosa.

A super estimulação (TV, celular, Internet...), a sobrecarga de tarefas, o materialismo, o consumismo, geram um aumento de “obrigações”, expectativas e ilusões.

Perdemos-nos no meio das criações de nossa mente inferior.

Afinal quem somos?

Seria bom se pudéssemos fazer como no carnaval, retirarmos a máscara escolhida e seguirmos em frente.

Mas não é assim.

Construímos personagens a partir de nossas experiências espirituais, afetivas, familiares, sociais. Desejos despertos por ilusões de aceitação, conquista e controle.

Somos o que somos? o que imaginamos? o que queremos?

E se a resposta for diferente do esperado?

Então aumenta a ansiedade, a pressão para que dê “certo”, principalmente se estivermos amarrados por padrões mais rígidos de conduta e perfeição.

Aí vem o impulso de querer controlar as respostas, os resultados.

Mas a vida é descontínua (que bom que é assim!) e quanto maior o controle, maior o descontrole.

É o Universo nos mostrando que precisamos relaxar e soltar as rédeas.

O controle vem da insegurança, da dúvida, da falta de confiança no fluxo da vida, do aparte da Unidade.

E COMO SE GASTA ENERGIA TENTANDO MANTÊ-LO!

Superestimulamos nosso sistema glandular, que em alerta, interpreta que estamos em perigo e responde ao imaginário como se fosse realidade.

Surge então a crise de ansiedade, que é a perda total do controle.

Hormônios secretados de forma desordenada, sistema corporal em pane.

Sintomas como taquicardia, sudorese, boca seca, tontura, tremores, sensação de abafamento no peito, como se fossemos sofrer um ataque do coração e morrer.

A ansiedade se transforma em angústia e desespero, acompanhado pelo o que algumas pessoas relatam como sensação de estar fora do corpo.

O grau de frequência e intensidade desses episódios é variado, assim como os sintomas.

A questão é que um círculo vicioso se instala, a cada crise de pânico aumenta o medo da repetição do evento, medo de enlouquecer, de ter uma doença grave, de morrer.

Esses pensamentos negativos aprisionam e mesmo que a crise não aconteça fica a expectativa, a antecipação de algo que ainda não ocorreu, que poderá não acontecer, mas que é subjetivamente aguardado.

Isso porque o corpo reteve a memória da primeira crise, um trauma registrado.

Assim se uma sensação parecida acontecer poderá ser o gatilho que dispara essa memória.

São situações tão sofridas que podem levar ao isolamento e depressão, esse conjunto forma então a Síndrome (conjunto de sintomas) do Pânico.

A boa notícia é que tem tratamento e o mais eficiente é aquele que atua na causa e não somente na consequência.

A medicação, muitas vezes necessária, deve ser acompanhada de uma mudança de hábitos, pensamentos e conduta. Uma reavaliação de si, das emoções, dos sentimentos.

Será que essa sensação de morte, pode significar que algo precisa morrer dentro de mim? Algum padrão de conduta, por exemplo, que não me cabe mais?

A conscientização de que não é preciso controlar tudo, o aprendizado de confiar no outro e no fluxo da vida, a conexão com o todo e o aprofundamento dos vínculos e compartilhamento, levam a percepção de que as dificuldades são apenas desafios a serem vencidos, não são castigos, falhas ou desmerecimentos.

A psicoterapia é uma importante aliada nesse processo assim como as terapias complementares (Reiki, Florais, Aromaterapia, Cromoterapia, Acupuntura e auriculopuntura), a yoga e a meditação.

Algumas atitudes podem ajudar numa crise de ansiedade:

/Respire profundamente, prolongando e expiração e dando uma pausa antes de inspirar novamente;
/Identifique os sintomas, perceba que está tendo uma resposta automática a um perigo, observe se é real ou imaginário;
/Tome consciência do sentimento ou emoção que está provocando essa reação, requalifique a sua reação conversando a respeito consigo mesmo e procurando se acalmar;
/Diminua suas expectativas em relação ao que está gerando essa reação;
 /Tome posse do seu presente, do lugar onde está, do que está fazendo, do agora. Desligue-se das amarras do passado e das fantasias do futuro.

Um passo de cada vez, como nas sábias palavras da Oração da Serenidade, de Reinhold Niebuhr.

.... Deus, conceda-me a serenidade para aceitar aquilo que não posso mudar,a coragem para mudar o que me for possível e a sabedoria para saber discernir entre as duas.
Vivendo um dia de cada vez, apreciando um momento de cada vez, recebendo as dificuldades como um caminho para a paz, aceitando este mundo como ele é, assim como fez Jesus, e não como gostaria que ele fosse.......
Só por hoje!

@souzaelizabethdefatimaterapias


domingo, 11 de junho de 2023

Medo de amar

Como já disse o poeta "O medo de amar é o medo de ser feliz".

É preciso estar preparado para receber a felicidade, quando ela chegar.


Enxergar a forma como ela vem, as vezes envolta em papéis diferentes.


Relembrando Chico Xavier: "A felicidade não entra em portas trancadas" ou seja, não entra em corações e mentes fechados.


Acho que o grande problema é o medo de amar, de abrir o coração.


E ser feliz é tudo de bom, mas para isto acontecer precisamos acreditar que somos merecedores(as) desta felicidade e perdermos o medo do futuro, de um possível sofrimento, perda ou separação.


Na vida correr riscos é inevitável, a não ser que você congele, porque assim não sofre mas também não vive.


Os primeiros olhares, o interesse, a identificação das afinidades, muita energia, mas ao mesmo tempo muita ternura e paz. Mas depois o temor, porque é muito bom, porque está muito bom.


Muitas vezes quando outro nos rejeita, ou somos nós quem rejeitamos, na realidade estamos rejeitando a possibilidade de sentir e viver o amor desperto e não a quem o despertou.


Se não tivermos esta percepção nos sentiremos infelizes e inadequados(as) e lá se vai a autoestima, o auto-amor.


É preciso parar de temer a dor, a perda, o risco, a rejeição. 


Quando agimos assim não nos permitimos sentir prazer, alegria, felicidade e como diz a música de Lupicínio Rodrigues " ….deixamos o céu por ser escuro e vamos ao inferno a procura de luz".


Fugimos no amor, escolhemos parceiros(as) inadequados(as) porque LÁ (no reino do inconsciente) sabemos que não dará certo e a dor "será menor".


Então como fuga magoamos, agredimos, nos afastamos, criamos obstáculos, fechamos o coração. 


Acredito que somos mais fortes do que pensamos e fomos criados(as) para amar e sermos amados(as).


A felicidade pode acabar, mas deixarmos de viver o amor pensando apenas na perda e na dor é fuga, alienação.


Sejamos corajosos(as). Viver bem é ousadia!


Um relacionamento amoroso, pleno, prazeroso é uma bênção. 


Amemos!




@souzaelizabethdefatimaterapias

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Para refletir

Caros Homens :

Vocês sabem…

"Que quando você entra em uma mulher, você está realmente dentro de outro ser humano, você está dentro dela?

Você já percebeu como isso é sagrado?

Que esta é a coisa mais próxima da Unidade que você já experimentou, e que ela tem esse presente para você...

Que você pode retornar ao ventre e ao ponto de criação...

Que você pode plantar as sementes da criação também...

Que quando você a deixa, ela sente a separação quando você a abandona fisicamente e a deixa vazia...

Que ser permitido estar dentro dela é um presente, uma honra, algo sagrado, e que é seu trabalho conhecer, respeitar e honrar isso...

Que seu coração está ligado ao seu sexo, e quando você quer entrar em seu sexo, você entra em seu coração também...

Que ela sente tudo quando você entra nela, enquanto toda a sua energia está sendo passada para ela.

Portanto, você tem a responsabilidade de inserir com transparência suas intenções, pois ela sentirá todas as maneiras de usá-la para evitar sentir sua própria dor ou emoções.

Você precisa estar atento e ciente sobre por que você está entrando nela, e o que você está enchendo-a com...

Que "sexo" é a união cósmica da energia feminina e masculina, um encontro sagrado de polaridades, e que não tem nada a ver com atingir um orgasmo, com tempo de duração suficiente, com tamanho, outro número para a sua coleção, ou o seu valor…

Que se abrir verdadeiramente a uma mulher, é ir fundo, mas não penetrar fundo nela, penetrar fundo em si mesmo, conhecer a si mesmo, e quanto mais você é capaz de penetrar em si mesmo, mais fundo pode entrar numa mulher...

(Zoe Johansen )💗

sexta-feira, 14 de abril de 2023

Abrindo o coração


Nos últimos dias um sentimento de tristeza, nostalgia e pesar paira no ar.

Os olhos enchem de lágrimas espontaneamente. 


O peito apertado, apatia.


É o chacra cardíaco se abrindo para deixar sair as emoções reprimidas, o que ainda é carregado das vivências do passado que já deveriam ter sido transformadas.


O coração é a morada do Amor, da compaixão, da alegria, da felicidade.


Funciona bem quando em harmonia com as emoções.


Muitas vezes outros sentimentos (raiva, ódio, mágoa, tristeza, rejeição, ciúmes...) assumem seu território, como posseiros ocupam os espaços sufocando o Amor e fechando o espaço ao seu redor.


E NEM SEMPRE ISTO É PERCEBIDO.


Neste momento de transição planetária somos chamados a dar um grande salto quântico, elevando o padrão vibracional dos nossos pensamentos, revendo nossas atitudes, liberando antigas crenças, registros, emoções. 


 Esta limpeza está acontecendo em todos os nossos corpos, físico, emocional, mental e espiritual.


Por isto a possibilidade a agravamento de alguns sintomas de pessoas que tem alguma doença crônica. 


As vezes pode vir uma sensação de perigo ou morte iminente, um ataque de pânico.


Não tema não é ou será uma morte física e sim a morte de padrões antigos.


Deixe fluir, limpe seu coração, tome contato com o que você está sentindo, fale, escreva, transforme, chore.


Quem é reikiano deve fazer auto-aplicação diária pelo menos das 4 posições de cabeça, chacra cardíaco, joelhos e pés. 


Quem não é, ore, medite, mantenha-se em uma sintonia elevada com a
sua fé e raiz espiritual.


O Amor precisa expulsar quem ocupa a sua casa.


Não tenha medo.


Ajude!


Abra o seu coração!

domingo, 19 de março de 2023

Perdendo a cabeça

Não perca a sua serenidade.

A raiva faz mal à saúde,o rancor estraga o fígado,a mágoa


envenena o coração. Domine as suas reações emotivas.

Seja dono(a) de si mesmo(a).

Pense, antes de falar.


Afinal se você "perde a cabeça", que cabeça assume seu 
corpo?

@souzaelizabethdefatimaterapias






sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Ascensão Animal - Emmanuel / Chico Xavier






Quem fere à Natureza, fere a si mesmo.
Quem maltrata um animal, macula a criação Divina.
Somos defensores desses irmãos, que precisam de nós para seguir sua evolução.
Nunca devemos esquecer dessa responsabilidade.
Com eles aprendemos a forma mais sublime de amar.


"O animal caminha para a condição do homem,
tanto quanto o homem evolui no encalço do anjo.

No reino animal, a consciência, à feição de crisálida,
movimenta-se em todos os tons do instinto, no rumo da inteligência.

No reino hominal, a consciência avança em todos os aspectos da inteligência,
objetivando a conquista da razão sublimada pelo discernimento.

E, no reino angélico essa mesma consciência,
em múltiplas expressões de sabedoria e de amor, segue, vitoriosa,
para a perfeita santificação, comungando a Perfeita Felicidade do Pai Celestial.

Para o homem, o anjo é o gênio que representa a Providência Divina e
para o animal o homem é a força que representa a Divina Bondade.

Recorda os elos sagrados que nos ligam uns aos outros na estrada evolutiva e
colabora na extinção da crueldade com que até hoje pautamos as relações
 com os nossos irmãos menores."


Espírito: Emmanuel / Psicografia: Francisco Cândido Xavier
Livro: Alvorada do Reino

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Perfeição e Paz



Bom dia a todos.
Para reflexão...
Luz, Paz e Alegria sempre!

PERFEIÇÃO, por Shmuel Lemle

"Nosso propósito na espiritualidade não é alcançar a perfeição.
O objetivo é se esforçar para chegar lá.
Não é certo pensar que quando alcançarmos a perfeição o mundo irá mudar.
O mundo irá mudar quando o número suficiente de pessoas estiver se esforçando para atingir a perfeição.
Todos nós reagimos e temos momentos egoístas.
Não somos anjos.
Mas, se simplesmente tivermos consciência disso e nos esforçarmos para não reagir, o simples ato de se esforçar e de ter algum sucesso já ajuda a revelar a Luz e melhorar a situação espiritual do mundo inteiro.
Se tivermos mais sucessos que insucessos, já  está ótimo.
No dia de hoje, invista um esforço adicional em ser proativo.
Se alguém ou alguma coisa deixar você irritado, tenha paciência e tolerância.
Em vez de reagir, respire fundo."

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021


  A EPIDEMIA ZUMBI

Por Elizabeth de Fátima Souza terapeuta holística

Sempre detestei histórias com zumbis.
Assisto filmes de vampiros, terror sobrenatural, ficção... mas zumbis me incomodam muito. Até o presente momento não havia percebido a razão, mas hoje ao ler um artigo acendeu aquela luzinha.
A crença nos zumbis se origina do vodu afro-caribenho, em que o morto ressuscita controlado por um feiticeiro. A vida lhe é devolvida para que sirva ao seu mestre ou invocador, sem, contudo, o livre arbítrio que nos é comum.
Outra interpretação é apresentada pelos filmes e histórias de ficção, onde vemos um apocalipse zumbi com mortos vivos sedentos de sangue criados por uma praga ou vírus. O mais trágico é que qualquer pessoa atacada por eles também se torna um zumbi e a “humanidade” corre o risco de desaparecer. Como defesa é preciso cortar-lhes as cabeças.
Ocorre que o apocalipse zumbi começou há tempos, eu apenas não havia relacionado ficção com realidade.
Os zumbis não pensam, movem-se mecanicamente, na maioria das vezes em grupos. Parecem estar vivos, mas não estão, pois não possuem consciência plena, não interagem entre si e apenas reproduzem os mesmos movimentos.
Transportando esse conceito para a nossa realidade, podemos dizer que nós também estamos cercados por zumbis. Pessoas que abriram mão de seu livre arbítrio e passaram a agir sob a influência de feiticeiros ou mestres (sejam eles religiosos, políticos ou extremistas manipuladores).
Segundo Jung, ao nascer cada um traz consigo uma essência, da qual precisará se tornar consciente, desenvolver e atuar no mundo de maneira integrada e harmônica. Assim acontece naturalmente o processo da individuação, que significa tornar-se um ser único, consciente da própria singularidade e que busca a realização do Si mesmo, a harmonia entre o ego e o self, onde nem um nem outro existe independentemente.
É um trabalho perene de autoconhecimento que, por não ser fácil, requer coragem, energia, humildade e discernimento. Requer olhar para os próprios aspectos sombrios e aprender a lidar com eles. Caso contrário, serão projetados em outras pessoas.
O Self em harmonia nos mostra como ser indivíduo e ao mesmo tempo contribuir para o bem-estar da sociedade. Mas, para que possamos atuar com autonomia, devemos lutar para escapar da consciência coletiva, nos diferenciando do todo e nos livrando das crenças que nos influenciam de modo inconsciente.
Assisti a um filme bem interessante chamado “A maldição dos mortos vivos”, de 1988, dirigido por Wes Craven. O roteiro não trata de mortos voltando para atacar os vivos por impulso ou como consequência de uma praga. Ali, os zumbis são as “vítimas” e suas ações obedecem aos interesses sociais e políticos de feiticeiros.
O Vodu, como outras crenças e seitas, é visto como uma religião que possibilita a troca de favores com resultados imediatos.
No filme, o feiticeiro ou mestre diz: “A dor física que eu posso causar não é nada em comparação ao que eu posso fazer com a mente”. Está instalada, portanto, uma relação de poder e medo. Assim começa o controle.
E como bem disse Carl G. Jung “O amor não é o oposto do ódio, o poder é o oposto do amor”.
A questão principal abordada no filme não é a morte, mas sim o sofrimento causado por se estar preso a um servilismo fruto da perda da consciência, da responsabilidade por suas escolhas. Esse é o apocalipse que o filme retrata, lembrando que a etimologia da palavra traz o significado de revelação.
Somos seres duais – luz e sombra; qualidades e defeitos – e se abrirmos mão da consciência de que crescemos nos desafios e somos responsáveis por nossas escolhas, caímos, fatalmente, no vitimismo e passamos a negar o Divino que existe em nós. Deixamos de ser guiados pela nossa consciência e transferimos esse poder para um terceiro. Afinal, é mais fácil acreditar que os meus erros, as minhas faltas, não estão em mim e são fruto de um “mal” que eu não tenho o poder de exorcizar – mas aquele a quem escolho seguir tem.
Olhar para a própria sombra é desafiador, mais fácil é não ver. É preciso encontrar um culpado fora.
Surge então alguém com palavras fortes e macias que emana poder e exerce um fascínio tal que as sombras se conectam, gerando uma enorme projeção.
Eis o mestre, o invocador que pode ser uma pessoa, um grupo ou um sistema.
Seus seguidores zumbis não o avaliam, pois perderam o senso crítico e a autonomia do pensamento. “E se a consciência se apresentou corruptível é porque o sistema de crenças era corrupto”.
A palavra corrupção se origina do latim corruptos que significa quebrado, em pedaços, estragado, corrompido.
A pergunta que fica é: o que se quebrou ou se corrompeu?
Se somos seres interligados energeticamente e emocionalmente, assumir uma postura individualista, narcísica, egoísta e centralizadora é ir na direção diametralmente oposta ao que seria humanamente natural. O racismo, individualismo, separatismo, preconceito, negacionismo, egoísmo, fazem parte da consciência corrupta que justifica as ações agressivas, parciais e autoritárias nas crenças que reforçam esses padrões e causam fascínio, controle e temor.
Lutar contra a epidemia zumbi significa desenvolver o senso crítico, avaliar, desconfiar, afastar e rejeitar posturas e falas como as acima descritas, não ser conivente ou se calar frente à corrupção no sentido mais amplo. E tomar consciência exige empenho, coragem e pode ser doloroso.
É preciso ampliar o olhar e ver o quanto somos manipulados por uma sociedade que não estimula a autonomia do pensamento, que separa e classifica as pessoas, que estimula o consumo desenfreado, que aumenta a desigualdade levando algumas pessoas a uma invisibilidade social, que ficou evidente com a pandemia da Covid-19.
“O andar constante do zumbi e sua eterna busca pela devoração dos cérebros [em busca de consciência] não deixa de ser uma metáfora perfeita para esse modo de vida pautado pelo consumo nas sociedades capitalistas: ansiedade e compulsão, criadas para mover os lucros advindos do consumo, para em seguida serem tratadas com medicamentos que as controlam, promovendo assim mais consumo. No momento em que esse ciclo perde qualquer referência de seus limites, o consumo transforma-se no autoconsumo. (CONTRERA e TORRES, 2018, p. 13).
Mas simbolicamente ao cortar a cabeça dos zumbis, corta-se a consciência corrupta ou corruptível, tirando-os do poder e do controle de seus mestres, onde quer que estejam pois essa é uma epidemia psíquica altamente contagiosa.
Os que estão vivos podem e devem se preservar com coragem, força, determinação e discernimento para rejeitar as agressões psicológicas e as manipulações vergonhosas contrárias à nossa essência.
Resgatar a consciência da individualidade e integração social em harmonia constitui o verdadeiro conceito de humanidade (a dor do outro é a minha dor, não quero ter vantagem sobre ninguém, o que desejo de bom para mim também quero para todos).
A pandemia causada pela COVID-19 acentuou essa epidemia zumbi e nos clama a enxergar com clareza o que acontece ao nosso redor, para que possamos sobreviver como sociedade.
A pandemia mudou o mundo! Nada será como antes.
Se essa mudança será melhor ou pior, cabe a nós decidir.
É preciso estar atento, contudo à epidemia paralela, se não tomarmos decisões importantes, de cunho individual e coletivo, perderemos a luta.
Referências:
Vaz, Sonia Regina Lunardon - “Os zumbis – consciência corrupta e corruptível”.
Vedovati, Alethéia Skowronski e Torres, Leonardo - Necropolítica, zumbis, covid-19 e Jung.