O vitimismo
ou vitimização é a negação da capacidade humana de se relacionar.
Nossa
postura na vida está diretamente ligada às relações sociais e afetivas, ou
seja, o que somos e como nos relacionamos com
os outros, família, trabalho, amigos, colegas, sociedade...
Sentir-se
vítima é sentir-se esmagada pela realidade, ver o mundo como algoz ou um céu
nublado com ameaça de chuva.
Entender a
realidade de forma obliterada, escura, conectando-se mais com a Sombra do que
com a Luz.
Sentir-se
incapaz de encontrar um caminho para as soluções, andar em círculos e por conta
desta falta de foco transferir para o outro, para as circunstâncias, para a
Vida a responsabilidade de seus problemas.
Aliás, a
vítima é perita em justificativas, procura dominar esta arte de reforçar sua
condição, pois ao constantemente justificar-se transforma a causa real de suas
dificuldades em injustiças e assim não cresce.
Passa a ser
um imã que atrai o que não deve, o que não suporta, o que não dá certo.
Queixa-se de
incompetência e é verdade, ela reside no fato de não assumir a responsabilidade
de seus problemas.
Reclama
muitas vezes da solidão, uma condição frequente, pois se torna energeticamente
pesada, difícil de lidar, ao querer que os outros mudem, apontar, criticar e
questionar sempre o próximo e não procurar conhecer a si mesma, investindo numa
verdadeira MUDANÇA.
Tem a
fantasia de que o outro é responsável por sua felicidade.
E como isto
não é verdadeiro acontecem a decepção, a infelicidade, o sofrimento, a mágoa, o
isolamento.
Chamamos a
postura de vítima de “o Coitado de mim” que é uma persona, uma máscara usada para
não assumir a realidade da forma como ela se apresenta.
Ela esconde
o medo de crescer, de mudar, de assumir emoções, sentimentos,
responsabilidades.
Nossas
limitações e dificuldades não podem ser transferidas para o outro além disso,
não temos controle sobre os relacionamentos, sobre a Vida.
Lidar com
esta descontinuidade é o exercício maior para o crescimento emocional e
espiritual.
As relações
são bilaterais, assim como tudo no Universo é dual.
Somos Nós e
tudo o que nos cerca.
Esta
inter-relação é a base de tudo.
O
"Coitado de mim" usa o outro para justificar as suas limitações
e se acomoda na vitimação, usando-a como forma de controle.
É
intolerante com a imperfeição, portanto renega o crescimento, pois não tolera
cometer erros e viver é aprender por erros e acertos.
Sofre de
constante tortura, consumindo-se no que acredita que deve ser, no que o outro
deve fazer, no que deve acontecer.
Não aceita,
nem respeita a liberdade de escolha, o tempo do outro, o outro como ele realmente é.
O mundo deve
ser o que imagina e planeja, mais uma forma de evitar o contato com a
realidade.
Acredita nas
projeções e desejos que não vive, ou viveu.
A aparente
fragilidade do “Coitado de mim” é perigosa, sob esta pseudodebilidade, esta
falsa humildade, se esconde uma pessoa orgulhosa, perfeccionista e
controladora.
Não se
perdoa por não alcançar seu ideal de perfeição e estabelece então uma forma
distorcida de comunicação e relacionamento com a Vida.
Ele é bom,
os outros é que não prestam.
Ele sofre,
porque os outros são errados.
Eles é que
tem que mudar.
E o círculo
se forma, a vítima sofre, seu sofrimento faz os outros sofrerem, e ficam todos
enrodilhados nessa energia.
Esse drama
na maioria das vezes é inconsciente.
Esta persona
pode começar a ser usada muito cedo, na infância, quando as primeiras relações afetivas
são construídas.
Dependendo
de suas referências a criança começa a crer que o mundo é muito assustador, e a
única maneira de agir aceitável é conseguir a simpatia através da culpa e das
rejeições que espelha ou denuncia.
Acredita que
não pode confiar nas pessoas, que cedo ou tarde terá decepções.
E por conta
desta crença, atrai justamente o que teme.
O Universo
responde produzindo a energia esperada e o drama se consolida.
A retomada
do caminho do equilíbrio se dá com o empoderamento pessoal, a consciência da
própria força para quebrar os elos desta armadilha.
Se
posicionar como agente do seu destino, aceitar as diferenças, as dificuldades,
crescer.
Sair do
passado, focar no presente, entregar o futuro.
As
dificuldades da Vida são necessárias ao nosso desenvolvimento. Nossas Almas
caminham sempre na direção do aprendizado e crescimento através das diversas
experiências, da vivência dos variados papéis.
Somos,
filhos e filhas, irmãos e irmãs, pais e mães, avôs e avós e ...
Assim aprendemos,
aparamos nossas arestas, lidamos com as frustrações,com as alegrias, as
tristezas, as conquistas.
Só podemos
crescer naquilo que nos pertence, o caminho da evolução é individual e de
competência própria.